aceita de mim o meu pior,
pois o que há em mim é redenção.
(talvez meus dedos,
tão gastos,
ajudem-me a delinear
a forma tolhida deste monologar)
dói em ti o melhor?
perfura-te a necessidade
de um amor tal que manifeste completude?
o caminho valseia em flores.
vejo nas pétalas dele
uma textura obscena -
cortesia de minha total entrega:
meu coração numa vitrine,
o melhor de mim
concedendo-te
a paralisia.
minha revelação -
como um desconhecimento imediato
daquilo que até então construi como meu corpo.
não há rumo algum,
quando se dorme os sentidos,
quando faz-se mudo o espectador
perante a urgência de sua voz.
aceita de mim o pior.
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de junho de 2009
"O corpo da noite"
o corpo, esta noite,
é o do teu vazio torpor:
acariciado, maltratado
como se fosse o último de todos.
corpo cansado,
este deixa-se ao deleite
e à volúpia das curvas constantes
da perna e do seio da noite.
e o corpo desta noite,
permanece espreitado, mansamente
retardado, envenenado,
vazio e enluteado,
acariciado, impermanente,
guardado por mim.
no corpo da noite,
todo sem órgãos,
caminhava sem sonhos,
hoje caminho sem pés.
é o do teu vazio torpor:
acariciado, maltratado
como se fosse o último de todos.
corpo cansado,
este deixa-se ao deleite
e à volúpia das curvas constantes
da perna e do seio da noite.
e o corpo desta noite,
permanece espreitado, mansamente
retardado, envenenado,
vazio e enluteado,
acariciado, impermanente,
guardado por mim.
no corpo da noite,
todo sem órgãos,
caminhava sem sonhos,
hoje caminho sem pés.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
"Paisagem imaginária VI ou Alvura"
a alvura
é senão confirmação:
totalidade de meus corpos vibráteis,
numa bela confluência correndo pelo meu umbigo,
e desembocando na terra do desconhecido.
... o branco brinca na minha alma,
de ser senão negação.
a alvura é a contradição de minha existência:
confirma-me ou devoro-te?
quanto muito, é uma música inaudível,
mas que vibra grande.
(tantas vezes quanto for preciso para nós)
... a alvura se vive,
e sua música me inunda grandemente:
me vence sempre como a luz que se doa.
é senão confirmação:
totalidade de meus corpos vibráteis,
numa bela confluência correndo pelo meu umbigo,
e desembocando na terra do desconhecido.
... o branco brinca na minha alma,
de ser senão negação.
a alvura é a contradição de minha existência:
confirma-me ou devoro-te?
quanto muito, é uma música inaudível,
mas que vibra grande.
(tantas vezes quanto for preciso para nós)
... a alvura se vive,
e sua música me inunda grandemente:
me vence sempre como a luz que se doa.
"Paisagem imaginária VI ou Parasempre"
a escavação de meu peito
deu-se
às custas
da profecia de encontrar-me
naquilo ao qual circundo.
_________ paralizo-me diante da garoa
mas regozijo ao ver que embora não me achando,
espero que tudo que acontece,
acontece a partir de agora, parasempre.
_________ a arqueologia de meu peito:
forever, flowers
in my hopily soil deflowering
a mountful of bodies of mine
- utmost blood filled with blooming cells -
forever, petals
of my body as dull staring objects towards pleasure
(althought) and it is oficially pleasurable
- only if it is wrapped within the deepest trunks of you -
forever, yours
your body sleeps by the boundaries of yours, totally
producing smells of floral enchantment
- "kissingly, i will bring you every spring" - e. e. commings
deu-se
às custas
da profecia de encontrar-me
naquilo ao qual circundo.
_________ paralizo-me diante da garoa
mas regozijo ao ver que embora não me achando,
espero que tudo que acontece,
acontece a partir de agora, parasempre.
_________ a arqueologia de meu peito:
forever, flowers
in my hopily soil deflowering
a mountful of bodies of mine
- utmost blood filled with blooming cells -
forever, petals
of my body as dull staring objects towards pleasure
(althought) and it is oficially pleasurable
- only if it is wrapped within the deepest trunks of you -
forever, yours
your body sleeps by the boundaries of yours, totally
producing smells of floral enchantment
- "kissingly, i will bring you every spring" - e. e. commings
segunda-feira, 23 de março de 2009
"Paisagem V ou Nirvana ou O vento que se veste"
nasci
para dar adeus.
(para ti, para mim, para ele, para ela)
... e realizá-lo tanto é
que não somente sequência
ao decurso de meu espírito:
é criação de recursos
na reprodução dos meus impulsos,
- pulsos finos, brincos lindos -
para que eu aprenda finamente a viver.
mas nasci para viver
e me perder.
e na perda de mim mesmo
em meio ao desejo de frente
e ao lamento de trás e
em meio ao desejo meu por ti,
que querendo nunca acabar,
finalmente acaba...
... meu adeus é premente àquilo que me recebe,
sumamente se desfaz em microespasmos de glória,
me ajoelho perante a luz
e percebo que meu adeus
foi o vento que, repentinamente,
se vestiu com cores.
para dar adeus.
(para ti, para mim, para ele, para ela)
... e realizá-lo tanto é
que não somente sequência
ao decurso de meu espírito:
é criação de recursos
na reprodução dos meus impulsos,
- pulsos finos, brincos lindos -
para que eu aprenda finamente a viver.
mas nasci para viver
e me perder.
e na perda de mim mesmo
em meio ao desejo de frente
e ao lamento de trás e
em meio ao desejo meu por ti,
que querendo nunca acabar,
finalmente acaba...
... meu adeus é premente àquilo que me recebe,
sumamente se desfaz em microespasmos de glória,
me ajoelho perante a luz
e percebo que meu adeus
foi o vento que, repentinamente,
se vestiu com cores.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
"Paisagem IV ou A noite esclarece"
tu: uma forma de
sim
contendo o
não.
é a tua silhoueta?
jogo de claros e escuros.
... não, não vem de agora
a agonia do escuro, luz apagada.
tão foi de repente.
... talvez porque és a apoteose de mim.
esclarecimento.
... sim, se assim pareço frio,
é porque lido agora,
com a renovação do tu:
posso te chamar de você?
sim
contendo o
não.
é a tua silhoueta?
jogo de claros e escuros.
... não, não vem de agora
a agonia do escuro, luz apagada.
tão foi de repente.
... talvez porque és a apoteose de mim.
esclarecimento.
... sim, se assim pareço frio,
é porque lido agora,
com a renovação do tu:
posso te chamar de você?
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
"Paisagem Imaginaria IV ou Luto iluminado"
____ cedo, amor
o que vejo é um nada:
____________________
e tu, que eras pomba,
arrebentando o meu peito?
______________________
esperei tanto pelo tempo,
engendrado na cruel batida do cigarro,
em que me estreitariam
a capacidade do olhar-te
enquanto carne:
____ e quando pude ver-te fora dela,
resolvi me despedir,
pois tu me nasceste
tão devagar, tão rude
pelo peito
que o deixou aberto,
semi claro.
sinto muito, tua exposição...
não posso lidá-la.
_______________
o que restou do meu peito é
...
a paisagem desolada do seu murmúrio.,
fragmentada, doída, lacunar.
o que vejo é um nada:
____________________
e tu, que eras pomba,
arrebentando o meu peito?
______________________
esperei tanto pelo tempo,
engendrado na cruel batida do cigarro,
em que me estreitariam
a capacidade do olhar-te
enquanto carne:
____ e quando pude ver-te fora dela,
resolvi me despedir,
pois tu me nasceste
tão devagar, tão rude
pelo peito
que o deixou aberto,
semi claro.
sinto muito, tua exposição...
não posso lidá-la.
_______________
o que restou do meu peito é
...
a paisagem desolada do seu murmúrio.,
fragmentada, doída, lacunar.
sábado, 17 de janeiro de 2009
"Paisagem Imaginária III ou Meia claridade"
semi lu
z de meia
palidez
quase
-
carne
perto de c
ai
r incompleto
(prazer ao léu)
natur
eza morta
aos miúdos
fruta v
ermelha
esfacelada
semi aberto
e
m meia lua
perto
da quase
tristeza
de carregar nas costas
incompletude
(meia) claridade comp
leta
z de meia
palidez
quase
-
carne
perto de c
ai
r incompleto
(prazer ao léu)
natur
eza morta
aos miúdos
fruta v
ermelha
esfacelada
semi aberto
e
m meia lua
perto
da quase
tristeza
de carregar nas costas
incompletude
(meia) claridade comp
leta
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
"Paisagem Imaginária II ou O lento arder"
neste mundo de sonhos e cores,
de nudez e de flores,
te vejo a lentamente assombrar-me,
(uneasy beach,
white bank of sand,
glistening at a backward world
still to be processed)
pois não me cabe ver-te como tal,
pois tu não cabes no sonho ou na cor,
e normalizado não és normal
conquanto me normatizo em teu alvor.
e ardo (for my core is pure sore,
at the midst of an inpure tornado.)
ardendo... não importa,
a atmosfera é a que se nunca espera,
seja quando comporta o conforto
seja enquanto tu andas na praia de nossa era, distante.
(i see who you are
behind the one self
within us all)
como sujeito semi-etéreo,
te tenho, material bruto de bolhas e brilhos,
como uma metade do meu engenho
ao procurar por mim mesmo,
no mais íntimo dos recônditos do espelho.
(the ultimate silence in its greater sense)
enquanto crio
e descrio
e recrio
nossa distância...
(mumbling towards oblivion)
sofro como uma algaravia presa numa garganta de grave grito.
de nudez e de flores,
te vejo a lentamente assombrar-me,
(uneasy beach,
white bank of sand,
glistening at a backward world
still to be processed)
pois não me cabe ver-te como tal,
pois tu não cabes no sonho ou na cor,
e normalizado não és normal
conquanto me normatizo em teu alvor.
e ardo (for my core is pure sore,
at the midst of an inpure tornado.)
ardendo... não importa,
a atmosfera é a que se nunca espera,
seja quando comporta o conforto
seja enquanto tu andas na praia de nossa era, distante.
(i see who you are
behind the one self
within us all)
como sujeito semi-etéreo,
te tenho, material bruto de bolhas e brilhos,
como uma metade do meu engenho
ao procurar por mim mesmo,
no mais íntimo dos recônditos do espelho.
(the ultimate silence in its greater sense)
enquanto crio
e descrio
e recrio
nossa distância...
(mumbling towards oblivion)
sofro como uma algaravia presa numa garganta de grave grito.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
"Paisagem III ou O certo mutismo"
...um certo mutismo.
(o sentimento do frio,
a sensação do gelo,
o cheiro da terra,
calidez da sol,
palidez da flor)
o amor é enorme.
não é negação,
é estar invisível no seio de tudo,
ressoando grande.
não se vive como tal:
se inunda toda montanha.
te inundo e te venço como uma onda de tamanho indescritível.
(o sentimento do frio,
a sensação do gelo,
o cheiro da terra,
calidez da sol,
palidez da flor)
o amor é enorme.
não é negação,
é estar invisível no seio de tudo,
ressoando grande.
não se vive como tal:
se inunda toda montanha.
te inundo e te venço como uma onda de tamanho indescritível.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
"Paisagem II ou Recalque da corpo, recalque da terra"
que me seja privada a capacidade de conhecer toda a terra e assim superar os limites da espacialidade que em mim habita.
... à superação do limite de meu corpo.
(decerto que de enésimas formas ele é uma manifestação de uma espacialidade superior ao microcosmo de minha pele)
a megalomania herética ao princípio que me rege.
vencer a barreira do corpo é quebrá-lo
em tantos pedaços
quanto menos
posso contá
-los.
(de maneira absolutamente incompreensível, sinto minha corporalidade moldada em concordância com a terra)
meu espaço é o decalque da terra.
e
finitamente
vê-la confirma a realidade
a qual se forma
e se prende a mim:
a realidade temida.
vejo a terra como uma imitação de corpo,
que no ato de reconhecimento meu a sua essência,
se confirma e se firma
altiva e irrevogável.
vejo a luz incandescente com a turbidez de meu físico.
ouço o som com o oco de meu peito.
ouço a maciez da ausência de som como continuidade do meu grito no penhasco;
vácuo do coração da terra.
a voz se evanesce e se esvanece.
e me encanto por completo
na complacência e contemplação
do meu sumiço,
cada vez mais determinante
cada vez mais iminente.
que me seja privado o enunciado do corpo, e a anunciação do espaço.
... à superação do limite de meu corpo.
(decerto que de enésimas formas ele é uma manifestação de uma espacialidade superior ao microcosmo de minha pele)
a megalomania herética ao princípio que me rege.
vencer a barreira do corpo é quebrá-lo
em tantos pedaços
quanto menos
posso contá
-los.
(de maneira absolutamente incompreensível, sinto minha corporalidade moldada em concordância com a terra)
meu espaço é o decalque da terra.
e
finitamente
vê-la confirma a realidade
a qual se forma
e se prende a mim:
a realidade temida.
vejo a terra como uma imitação de corpo,
que no ato de reconhecimento meu a sua essência,
se confirma e se firma
altiva e irrevogável.
vejo a luz incandescente com a turbidez de meu físico.
ouço o som com o oco de meu peito.
ouço a maciez da ausência de som como continuidade do meu grito no penhasco;
vácuo do coração da terra.
a voz se evanesce e se esvanece.
e me encanto por completo
na complacência e contemplação
do meu sumiço,
cada vez mais determinante
cada vez mais iminente.
que me seja privado o enunciado do corpo, e a anunciação do espaço.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
"Idioma"
a língua minha é corpo puro:
braço longo que
alitera corpo magro que
obnubila buraco no peito que
grita face forte que
reitera
...e a lingua tua é pura transcendência.
...e a alegra meu anticorpo
frente ao desmanche seu
que me despe e me emudece
e reduz meu verbo a anti-corpo
e meu corpo a sub-corpo:
sub-corpo do teu corpo.
(nossa semântica é de fins e inícios
mas não existe como tal
pois não finda e não se inicia
no comprimento da minha raíz mais íntima
nem na duração da morte pública mais minha)
minha origem
está num espelho
primordial
cada vez mais escondido
e recôndito.
...a chave de meu corpo lá se encontra,
encerrando consigo mesma,
o conceito de meu idioma mais particular.
braço longo que
alitera corpo magro que
obnubila buraco no peito que
grita face forte que
reitera
...e a lingua tua é pura transcendência.
...e a alegra meu anticorpo
frente ao desmanche seu
que me despe e me emudece
e reduz meu verbo a anti-corpo
e meu corpo a sub-corpo:
sub-corpo do teu corpo.
(nossa semântica é de fins e inícios
mas não existe como tal
pois não finda e não se inicia
no comprimento da minha raíz mais íntima
nem na duração da morte pública mais minha)
minha origem
está num espelho
primordial
cada vez mais escondido
e recôndito.
...a chave de meu corpo lá se encontra,
encerrando consigo mesma,
o conceito de meu idioma mais particular.
domingo, 26 de outubro de 2008
"Paisagem Imaginária I ou Um novo significado pro verão"
se quiseres tu - num
dia quente no mediterrâneo,
ao léu das palmas,
de branco -
matar-me de amor,
que o faça ao céu
de casablanca.
bem no compasso,
faço o meu passo -
a paisagem imaginada
acalma os sentidos
dos erros que cometo -
samba selvagem,
na paisagem de casablanca.
trago não traço,
amanso o passo,
faço não caço,
amo o amor -
me caso com o sol
de casablanca -
fico manso de dor,
no dia de paz
de casablanca.
para Waly Salomão.
dia quente no mediterrâneo,
ao léu das palmas,
de branco -
matar-me de amor,
que o faça ao céu
de casablanca.
bem no compasso,
faço o meu passo -
a paisagem imaginada
acalma os sentidos
dos erros que cometo -
samba selvagem,
na paisagem de casablanca.
trago não traço,
amanso o passo,
faço não caço,
amo o amor -
me caso com o sol
de casablanca -
fico manso de dor,
no dia de paz
de casablanca.
para Waly Salomão.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
"Paisagem I ou O frio que me fere"
o que vejo agora,
confunde sensações aos estímulos:
obedece a uma harmonia cubista
de um labirinto irreal,
o qual,
alvo como um cume de neve,
dissolve feito sal
sobre pedras
dum mar inacabado
e breve.
... o que diviso:
um barco
de tamanho indiscriminado
- mimetizado em meio à bruma -
navegando ao mar de cinzas
a esmo de si mesmo.
...num átimo de tempo,
o barco está ao mar,
mas o que se percebe,
nada mais é que:
um borrão branco.
... o fenômeno do barco,
demora para construir-se pleno.
pois o barco sou eu,
e eu me demoro na minha indecisão,
de navegar por ali, por aqui,
de navegar ou não.
confunde sensações aos estímulos:
obedece a uma harmonia cubista
de um labirinto irreal,
o qual,
alvo como um cume de neve,
dissolve feito sal
sobre pedras
dum mar inacabado
e breve.
... o que diviso:
um barco
de tamanho indiscriminado
- mimetizado em meio à bruma -
navegando ao mar de cinzas
a esmo de si mesmo.
...num átimo de tempo,
o barco está ao mar,
mas o que se percebe,
nada mais é que:
um borrão branco.
... o fenômeno do barco,
demora para construir-se pleno.
pois o barco sou eu,
e eu me demoro na minha indecisão,
de navegar por ali, por aqui,
de navegar ou não.
sábado, 20 de setembro de 2008
"Espelho por detrás"
aqui discuto o espelho por detrás.
... pois é justamente o momento
de discutir a trivialidade
como resposta maior
à aflição:
por trás do espelho,
faz-se o nada,
nunca o dobro.
faz-se a parede,
não o reflexo.
faz-se o limite,
o limbo, o sem-Deus.
... e a duplicação e inversão da coisa é,
por via de regra,
demoníaca:
eu em dobro.
tu em dobro.
ele em dobro.
e(a extensão da coisa se dá
involuntariosamente)à parte
de mim,
de ti,
dele.
... mas a reflexão
é terra de ninguém,
somente daquele o qual
imensamente tentamos ser
sem chance dele sermos.
... neste sistema parcialmente isolado,
o angélico está na moldura,
e portanto, no signo
da reflexão.
...a qualidade de espelho é,
sempre será,
satânica.
...neste aspecto,
o espectro de minha poesia,
são diferentes tonalidades
de satanismo
e
de santidade.
esta encontra-se atrás do espelho,
pois é lá onde me situo:
me encontro atrás do espelho.
... e considerações exteriores sobre a vida por detrás do espelho,
olhar o que mais já foi escrito por mim aqui.
... pois é justamente o momento
de discutir a trivialidade
como resposta maior
à aflição:
por trás do espelho,
faz-se o nada,
nunca o dobro.
faz-se a parede,
não o reflexo.
faz-se o limite,
o limbo, o sem-Deus.
... e a duplicação e inversão da coisa é,
por via de regra,
demoníaca:
eu em dobro.
tu em dobro.
ele em dobro.
e(a extensão da coisa se dá
involuntariosamente)à parte
de mim,
de ti,
dele.
... mas a reflexão
é terra de ninguém,
somente daquele o qual
imensamente tentamos ser
sem chance dele sermos.
... neste sistema parcialmente isolado,
o angélico está na moldura,
e portanto, no signo
da reflexão.
...a qualidade de espelho é,
sempre será,
satânica.
...neste aspecto,
o espectro de minha poesia,
são diferentes tonalidades
de satanismo
e
de santidade.
esta encontra-se atrás do espelho,
pois é lá onde me situo:
me encontro atrás do espelho.
... e considerações exteriores sobre a vida por detrás do espelho,
olhar o que mais já foi escrito por mim aqui.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
"A escolha de si mesmo"
a mãe estirada debaixo da árvore
os toma pra si.
sobre a terra rachada,
toca seus seios, a inveja.
limpa,
o filho a examina,
condescendentemente.
atrás do espelho,
tornou-se sua mãe.
os toma pra si.
sobre a terra rachada,
toca seus seios, a inveja.
limpa,
o filho a examina,
condescendentemente.
atrás do espelho,
tornou-se sua mãe.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
"Catatonia do poeta"
... por ora,
o poeta está só de si mesmo,
pois sua língua,
e seu objeto,
naquilo que nunca houvera sido,
evanesceram, padeceram
em lágrimas expectantes.
... no momento,
tudo o que o poeta deseja
é, adversamente,
não desejar:
no seu desejo ao contrário,
encontrou a paz finamente bem quista.
estando só em si mesmo,
pôde conhecer parcela sua,
primordial e pulsátil,
a confundi-lo, torturá-lo,
com aquilo jamais feito
e jamais satisfeito.
a parcela-outra,
manifestando-se tesa,
tratou de mostrar-se
corporalidade relutante,
imersa e imensa,
a esconder-se incompleta.
... indiferenciado,
passivo de si mesmo,
seu próprio existir
regressou ao fino estado de ser.
o poeta se fechou para si mesmo,
dentro do espelho.
post scriptum
... e entretanto,
foi naquilo nunca sido
que o poeta encontrou,
por fim, seu estandarte.
post post scriptum
este escrito também poderia se chamar Ecolalia ao inverso ou ainda Ecopraxia de mim mesmo.
ambos me expressam.
o poeta está só de si mesmo,
pois sua língua,
e seu objeto,
naquilo que nunca houvera sido,
evanesceram, padeceram
em lágrimas expectantes.
... no momento,
tudo o que o poeta deseja
é, adversamente,
não desejar:
no seu desejo ao contrário,
encontrou a paz finamente bem quista.
estando só em si mesmo,
pôde conhecer parcela sua,
primordial e pulsátil,
a confundi-lo, torturá-lo,
com aquilo jamais feito
e jamais satisfeito.
a parcela-outra,
manifestando-se tesa,
tratou de mostrar-se
corporalidade relutante,
imersa e imensa,
a esconder-se incompleta.
... indiferenciado,
passivo de si mesmo,
seu próprio existir
regressou ao fino estado de ser.
o poeta se fechou para si mesmo,
dentro do espelho.
post scriptum
... e entretanto,
foi naquilo nunca sido
que o poeta encontrou,
por fim, seu estandarte.
post post scriptum
este escrito também poderia se chamar Ecolalia ao inverso ou ainda Ecopraxia de mim mesmo.
ambos me expressam.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
"Soror de minha alma"
I - morte
teu corpo a mim
fechado em dor,
me fez acordar
e ver a luz
brilhante
como mais
um artifício,
teu a me apear.
(rútila luz,
parte de ti
em direção a mim
-
a luz do céu;
cujos pesados raios
caem sobre mim)
... meu mundo, minha vida
fecham-se para mim
e não sou
mais...
(...eles abrem
sobre ti
e me abro
a seus desejos
como um campo de flores
- prelúdio nosso)
... e eu,
contando sóis
marcando cicatrizes
em meu rosto,
fecho meus olhos.
... tu fechas os olhos e eu morro.
(luminescência a trazer consciência)
II - reflexão acerca de ti
"tu foste algo de anjo,
algo de diabo,
a me irmanar,
com asas híbridas de humano.
e das flores do campo que és tu,
colhi as mais simples.
também benzi o bálsamo de tua pele,
e o espalhei sobre meu ventre:
vi teu resto a refletir
uma lua turva de perdas irreais e vazias
(lençol sem sangue, puro
- prova de intocável amanhecer -
exposto à luz do sol)
da tua lua,
descendeu a neve, demorada, a cair,
e soterrar meu amor entre pedras de gelo.
teus olhos negros foram eclipses
a me esconder de ti mesmo
na tua própria penumbra.
... houve teu sorriso,
desconexo no vazio que restou:
forma pálida de gozo.
mas sem ti não há amanhecer,
nem ascenção, nem flores.
... e para além do céu de seus olhos
escondem-se lá alguns lírios,
como mares evanescentes de neve:
águas-vivas cristais a esfuziar na luz pequena do dia.
teu mar provou-se um rio,
e nada mais.
... enquanto isso,
nuvens cruzam o meu céu,
enquanto flores morrem."
III - (re)nascimento
através de ruas altas,
banhadas pelo sol,
encontro-me caído e cambaleante.
banhado por neve a derreter,
sonho com um interminável prelúdio -
o outono.
quando me ergo e me lembro dos teus olhos,
de abissalidade negra,
de riquezas demais,
sinto-me anterior
ao nascimento:
ao te rever
meu coração é
nada mais
que uma borboleta estática.
teu corpo a mim
fechado em dor,
me fez acordar
e ver a luz
brilhante
como mais
um artifício,
teu a me apear.
(rútila luz,
parte de ti
em direção a mim
-
a luz do céu;
cujos pesados raios
caem sobre mim)
... meu mundo, minha vida
fecham-se para mim
e não sou
mais...
(...eles abrem
sobre ti
e me abro
a seus desejos
como um campo de flores
- prelúdio nosso)
... e eu,
contando sóis
marcando cicatrizes
em meu rosto,
fecho meus olhos.
... tu fechas os olhos e eu morro.
(luminescência a trazer consciência)
II - reflexão acerca de ti
"tu foste algo de anjo,
algo de diabo,
a me irmanar,
com asas híbridas de humano.
e das flores do campo que és tu,
colhi as mais simples.
também benzi o bálsamo de tua pele,
e o espalhei sobre meu ventre:
vi teu resto a refletir
uma lua turva de perdas irreais e vazias
(lençol sem sangue, puro
- prova de intocável amanhecer -
exposto à luz do sol)
da tua lua,
descendeu a neve, demorada, a cair,
e soterrar meu amor entre pedras de gelo.
teus olhos negros foram eclipses
a me esconder de ti mesmo
na tua própria penumbra.
... houve teu sorriso,
desconexo no vazio que restou:
forma pálida de gozo.
mas sem ti não há amanhecer,
nem ascenção, nem flores.
... e para além do céu de seus olhos
escondem-se lá alguns lírios,
como mares evanescentes de neve:
águas-vivas cristais a esfuziar na luz pequena do dia.
teu mar provou-se um rio,
e nada mais.
... enquanto isso,
nuvens cruzam o meu céu,
enquanto flores morrem."
III - (re)nascimento
através de ruas altas,
banhadas pelo sol,
encontro-me caído e cambaleante.
banhado por neve a derreter,
sonho com um interminável prelúdio -
o outono.
quando me ergo e me lembro dos teus olhos,
de abissalidade negra,
de riquezas demais,
sinto-me anterior
ao nascimento:
ao te rever
meu coração é
nada mais
que uma borboleta estática.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
"O êxtase de Santa Teresa (ou Síndrome de Stendhal)"
longe da lânguida lâmina do dia,
faz-me só orgasmos, perdido amor,
estar frente a arte de Sua face.
...em prol de Sua admiração,
me cego, me revolto e me agracio,
escorraçado, invertido e tardio,
à Sua reticente expressão.
longe da lânguida lâmina do dia,
penso em Sua face como a de um homem,
e me apego à Sua beleza de homem
de sangue e penumbra vazia:
a
bombear pelo meu corpo de forma violenta,
preenchendo lacunas outrora permanentes.
a
tontear a insana compreensão
da minha realidade, tal qual como a recrio de ti.
a
confundir o resquício, restolho,
de mim em mim mesmo, após o corte da lânguida lâmina do dia.
... de faca fina e de pronto,
sou um tesouro recôndito,
incrustado na realidade em si própria,
permeado pela beleza de sentir,
adversamente, a alucinação
do prazer mais primordial.
faz-me só orgasmos, perdido amor,
estar frente a arte de Sua face.
...em prol de Sua admiração,
me cego, me revolto e me agracio,
escorraçado, invertido e tardio,
à Sua reticente expressão.
longe da lânguida lâmina do dia,
penso em Sua face como a de um homem,
e me apego à Sua beleza de homem
de sangue e penumbra vazia:
a
bombear pelo meu corpo de forma violenta,
preenchendo lacunas outrora permanentes.
a
tontear a insana compreensão
da minha realidade, tal qual como a recrio de ti.
a
confundir o resquício, restolho,
de mim em mim mesmo, após o corte da lânguida lâmina do dia.
... de faca fina e de pronto,
sou um tesouro recôndito,
incrustado na realidade em si própria,
permeado pela beleza de sentir,
adversamente, a alucinação
do prazer mais primordial.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
"Exploração por detrás do espelho"
olhando ao meu inverso,
e ao teu também,
só fiz ver divisão
entre o que é primórdio
e
entre o que é artifício.
... e passaste a ser
nada, nada mais,
que uma dinâmica
demoníaca
entre o que é superfície
e
entre o que é imanência.
penetrando na tua parte civilizada,
me cortando na lâmina de tudo,
entendi a divisão
entre aquilo que és
e
entre aquilo que tu mostras a mim.
fugindo do fenômeno de ti,
penetrei a fundo naquilo que és,
me enojei contigo
... e te vomitei,
e também em todos os teus símbolos
de superficialidade.
... olhando ao inverso de tudo,
pude sentir a inefável sensação,
de conhecer a coisa desvinculada,
desligada da semântica do desejo,
da vicissitude do sentido.
te conheci, finalmente, em/a ti próprio.
com o punho nu,
estourei o espelho,
meu sangue tingiu teus olhos,
mas não pude me esconder de ti.
o fantasma de ti em ti mesmo me sugou.
e doeu.
o eu de mim, portanto, passou somente a viver na palavra,
como todos assim sempre houveram.
... o que reclamo da amálgama,
a mágoa, a agonia,
do eu de ti ser
como nunca houvesse sido.
este texto é também um avião fugitivo,
clandestino.
... um avião para fora do reino no qual me prendi.
e ao teu também,
só fiz ver divisão
entre o que é primórdio
e
entre o que é artifício.
... e passaste a ser
nada, nada mais,
que uma dinâmica
demoníaca
entre o que é superfície
e
entre o que é imanência.
penetrando na tua parte civilizada,
me cortando na lâmina de tudo,
entendi a divisão
entre aquilo que és
e
entre aquilo que tu mostras a mim.
fugindo do fenômeno de ti,
penetrei a fundo naquilo que és,
me enojei contigo
... e te vomitei,
e também em todos os teus símbolos
de superficialidade.
... olhando ao inverso de tudo,
pude sentir a inefável sensação,
de conhecer a coisa desvinculada,
desligada da semântica do desejo,
da vicissitude do sentido.
te conheci, finalmente, em/a ti próprio.
com o punho nu,
estourei o espelho,
meu sangue tingiu teus olhos,
mas não pude me esconder de ti.
o fantasma de ti em ti mesmo me sugou.
e doeu.
o eu de mim, portanto, passou somente a viver na palavra,
como todos assim sempre houveram.
... o que reclamo da amálgama,
a mágoa, a agonia,
do eu de ti ser
como nunca houvesse sido.
este texto é também um avião fugitivo,
clandestino.
... um avião para fora do reino no qual me prendi.
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